Inovação e sustentabilidade na arquitetura: entrevista com Klaus Bohne, palestrante do Incentive Solar Day

O Arquiteto e Urbanista Klaus Bohne é uma referência quando se trata de inovação e sustentabilidade na arquitetura.

 

Palestrante do Incentive Solar Day, está em uma de suas rápidas passagens no Brasil. Isso porque após um curso na Alemanha decidiu abrir um segundo escritório da sua empresa, a Tria – Sistemas de Arquitetura, no país europeu para aprender ainda mais sobre a utilização de tecnologias na arquitetura.

 

Klaus é um entusiasta da sustentabilidade e elaborou seu primeiro projeto com energia solar ainda no ano de 2009 no estacionamento do colégio Anchieta em Porto Alegre, quando ainda pouco se falava sobre essa tecnologia aqui em nosso no Brasil.

 

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o evento acontece no dia 22 de março e as vagas são limitadas!

 

Conversamos com Klaus sobre seu interesse pela arquitetura sustentável e sua visão sobre a evolução da energia solar fotovoltaica aqui em nosso país.

 

Confira a entrevista na íntegra

 

Incentive Solar (IS): Klaus, quando foi que você começou a se interessar por questões ligadas a sustentabilidade na arquitetura e o que fez você seguir por esse caminho?

 

Klaus Bohne (KB): Comecei a me dar conta da importância da eficiência energética e do conforto térmico na arquitetura assistindo as ótimas aulas da professora Lucia Mascaró, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em meados de 1984.

 

Em 1986 fui passar uma temporada na Alemanha, logo após a explosão da usina nuclear de Chernobyl. Chegar lá com a Europa toda em pânico com medo da nuvem de radiação foi o que me marcou para sempre. “Atomkraft? Nein Danke!” (Energia nuclear? Não obrigado!). Este era o lema das manifestações na época. E logo depois começaram as primeiras pesquisas em energia solar na Alemanha.

 

IS: Atualmente você está morando na Alemanha. Qual a grande diferença que você vê entre o Brasil e a Alemanha em relação a arquitetura sustentável? E o que podemos fazer para acompanhar a evolução de países desenvolvidos?

 

KB: Decidi abrir um segundo escritório da Tria na Alemanha após finalizar um curso de “Passivhaus Certified Designer” (2016) em Darmstadt onde o conteúdo que aprendi me fez optar por pesquisar mais e mais sobre a eficiência energética nas edificações.

 

Temos um longo caminho tecnológico a percorrer, ao comparar Brasil e Alemanha, principalmente no que se refere a mudança da cultura de projeto e de execução das edificações.

 

IS: A energia solar está em alta, mas você já trabalha com essa tecnologia há bastante tempo. Como surgiu esse interesse por essa tecnologia e onde você já aplicou aqui no Brasil?

 

KB: O meu “despertar” para a energia solar fotovoltaica se deu após visitar a feira Intersolar em 2007 em Freiburg. Fiquei impressionado com os fornecedores chineses presentes no evento.

 

Naquele momento percebi que seria uma questão de tempo para a solar virar uma realidade mundial pois os chineses derrubarem os preços por watt dos painéis. E foi o que aconteceu. O valor do watt solar não parou mais de cair.

 

Meu primeiro projeto concluído no Brasil foi o Estacionamento Solar do Colégio Anchieta (2009). Depois participei do projeto de uma usina urbana de 550 kWh (2011) que será finalmente instalada no centro administrativo do estado em breve. E em 2015 fui “site manager” da instalação da usina Fontes I e II (11MW) da Enel Green Power em Pernambuco.

 

IS: Como você vê o avanço da energia solar no Brasil e quais desafios ainda temos que enfrentar para nos tornar protagonistas mundiais desse tipo de geração?

 

KB: A solar no Brasil cresce apesar do mínimo interesse dos governos até bem pouco tempo. O setor precisa de uma política de longo prazo, o que no Brasil é bem raro de acontecer. Mas se depender dos empresários do segmento, o tempo perdido será recuperado rapidamente e o Brasil se tornará um player de respeito, em consonância com o seu protagonismo econômico na América do Sul.

 

Leia também: Práticas sustentáveis, a missão que une engenheiros e arquitetos.

 

IS: A energia solar é um ótimo exemplo de aplicação de sustentabilidade na arquitetura por ser uma fonte limpa e renovável, mas quais outras técnicas você utiliza e que pode ser implantada nas construções sem necessitar de grandes investimentos?

 

KB: O domínio da técnica faz com se conheça os fatores que mais influenciam no desempenho energético de uma edificação. As decisões tomadas na fase de projeto reduzem drasticamente os custos futuros com soluções corretivas.

 

Técnicas como a geotermia do fluxo de ar ao interior, boas esquadrias e um “envelope” da edificação com um bom isolamento térmico usando bons materiais, trarão resultados surpreendentes para os futuros usuários, não só sob o ponto de vista de conforto ambiental como também reduções significativas nos custos mensais de energia.

 

Saiba mais sobre o Incentive Solar Day e conheça a programação completa do evento.

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