Greve dos caminhoneiros e a dependência dos combustíveis fósseis

Em 21 de maio de 2018 os caminhoneiros de todo o Brasil iniciaram uma grande greve e o movimento evidenciou a dependência dos combustíveis fósseis em nosso país. A greve dos caminhoneiros nos fez perceber o quanto somos dependentes da malha rodoviária e de combustíveis não-renováveis. 

Com a paralisação desta classe todos os os outros serviços também foram afetados de alguma forma ou outra, seja por falta de alimentos em supermercados, de combustíveis nos postos de gasolina e remédios em farmácias, por exemplo.

Os caminhoneiros têm todo o direito de protestarem e buscarem por melhores condições de trabalho, mas essa greve também pode servir para nos fazer refletir se é esse o caminho que queremos seguir.

 

Vivemos em um país totalmente dependente de caminhões para o transporte de cargas e o escoamento de nossa produção, claro que os caminhoneiros não tem culpa disso. As escolhas políticas ao longo dos anos que nos levaram a essa dependência.

Por isso, neste artigo queremos mostrar que não precisamos ter essa total dependência dos combustíveis fósseis. Outro caminho é possível para que nosso transporte seja mais eficiente, menos nocivo ao meio ambiente e mais barato.

 

Veículos elétricos como solução para reduzir combustíveis fósseis

 

A solução para diminuir nossa dependência dos combustíveis fósseis é investir em veículos elétricos. Países como a França e o Reino Unido já criaram leis proibindo a produção e utilização de veículos que utilizam combustíveis fósseis dentro de alguns anos como forma de incentivar o uso de veículos elétricos.

Os veículos elétricos já são uma realidade, inclusive no Brasil já existem alguns modelos sendo comercializados. Porém os preços ainda são muito elevados em comparação aos carros movidos a gasolina e diesel.

Por exemplo, um BMW i3, que roda somente com eletricidade, embora possua um pequeno motor a gasolina que serve como gerador para estender a autonomia do veículo, custa R$ 159.950,00. Valor acima das possibilidades da grande maioria das famílias brasileiras.

Porém em outros países os veículos elétricos já são competitivos com os veículos tradicionais. Além disso, a economia gerada pela troca de gasolina por energia elétrica pode fazer com que os veículos elétricos fiquem ainda mais atrativos financeiramente.

Outra dificuldade enfrentada pelos veículos elétricos é a baixa produção de baterias de lítio, que são utilizadas nesse tipo de veículo. Sendo assim, fica difícil de uma empresa como a Tesla Motors do bilionário Elon Musk produzir tantos carros como a GM.

Para resolver isso a Tesla em parceria com a Panasonic construiu a Gigafactory, uma fábrica no meio do deserto de Nevada destinada a dobrar a produção de baterias de lítio no planeta. Apesar de não ter atingido a meta ainda, a fábrica já está em operação desde o ano passado.

 

 

E não são só os carros de passeio que podem ser movidos a eletricidade, a própria Tesla está desenvolvendo caminhões elétricos que vão de zero a 100 Km/h em 20 segundos levando 36 toneladas de carga e com autonomia de 650 Km com meia hora de recarga.

 

combustíveis fósseis

O Semi, nome do Caminhão da Tesla, que significa “carreta” em inglês, tem apenas um assento. Com isso consegue ter linhas esguias, que lhes conferem metade do arrasto aerodinâmico de um caminhão convencional.

 

Energia solar como combustível

 

Claro que não adianta substituir os veículos a combustão por elétricos se a matriz elétrica for tão poluente quanto os combustíveis fósseis.

No Brasil ainda temos uma grande participação da geração hidrelétrica, que apesar de causar danos ambientais durante sua construção é uma fonte limpa e renovável.

Porém, a energia solar pode e deve ser a grande responsável por abastecer os veículos elétricos que irão rodar por todo o mundo dentro de alguns anos.

Isso porque pequenas usinas solares podem ser instaladas em sua própria casa ou em shopping centers, supermercados e estradas para carregar os veículos elétricos.

Na Califórnia, por exemplo, a Tesla instalou diversos pontos de recarga de alta voltagem, conhecidos como Super Charger, onde é possível encher 80% da bateria em meia hora. Essas recargas podem ser feitas de forma gratuita e o próprio carro mostra os pontos de recarga rápida ao longo da estrada.

 

 

Para aqueles que não querem perder tempo podem estacionar o veículo elétrico em vagas especiais em shoppings e edifícios comerciais para recarregar o carro enquanto realiza suas atividades. Assim não é necessário perder tempo em postos de recarga.

 

Planejando um transporte mais sustentável

 

Todas essas inovações parecem muito distante de nós, mas esse é um caminho sem volta. E se quisermos transformar nosso sistema logístico devemos planejar desde cedo como mudar nossa matriz energética para dependermos cada vez menos de combustíveis fósseis e poluentes.

A escolha pelo transporte rodoviário para o transporte de cargas ao invés de ferroviário foi um erro que tem custado caro a todos nós brasileiros. Por isso não podemos continuar errando nas nossas escolhas e pensar como é o meio de transporte que queremos no futuro.

Não foi necessário acabar as pedras para sairmos da idade da pedra, assim como não precisa acabar os combustíveis fósseis para que possamos mudar para uma matriz energética limpa e renovável.

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