Geração distribuída: o que é importante você saber!

A geração distribuída de energia está em evidência no Brasil desde 2012 e se popularizando em ritmo acelerado nesse período.

Mas ainda é um assunto que gera muitas dúvidas na população em geral. Afinal, você sabe o que é a geração distribuída, qual sua diferença para a tradicional geração centralizada e o que tudo isso pode mudar no seu dia a dia?

Neste texto compilamos as principais informações sobre conceitos, tipos, diferenças, regulamentações, cenário e vantagens da geração distribuída.

Geração distribuída X geração centralizada

A geração distribuída em linhas gerais é caracterizada por ser uma fonte de energia elétrica produzida pelo próprio consumidor ou então conectada diretamente à rede de distribuição.

Pode ser um sistema solar fotovoltaico, turbinas eólicas residenciais, pequenas centrais hidrelétricas e até mesmo usinas de gás natural.

Descubra como funciona a energia solar

Mas para que essa definição fique mais fácil de ser compreendida é importante conhecer o funcionamento básico da geração centralizada, que pode ser dividida em 5 fases:

  1. Produção de energia: gerada em larga escala, principalmente através de hidrelétricas e termelétricas, distantes dos centros consumidores.
  2. Transformação: por questões técnicas, a energia é elevada para alta tensão, pois assim se garante uma menor perda em seu percurso.
  3. Linha de transmissão: é o que leva a energia de seu local de produção até as cidades e regiões que a utilizarão.
  4. Subestação: trata-se de uma instalação que recebem a energia e reduz sua tensão, deixando-a pronta para ser distribuída.
  5. Distribuição: é o caminho da subestação até sua casa. Mas pode ser em baixa ou média tensão, se for o caso de indústrias de médio porte, por exemplo.

Todo essa trajetória gera custos muito elevados, que representa a principal desvantagem da geração centralizada.

Ou seja, a principal diferença é que no caso da geração distribuída a energia produzida não passa pela fase de transformação, linha de transmissão e nem subestação.

Funcionamento da geração distribuída

 

Tipos de geração distribuída e a sua regulamentação

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) emitiu em abril de 2012 a Resolução Normativa nº 482/2012 que estabeleceu as condições necessárias para a viabilidade da geração distribuída no Brasil.

Três pontos são fundamentais nesta resolução:

 

  • O acesso ao sistema de distribuição

Esse é o ponto mais importante da resolução. Antes era inviável você produzir sua própria energia a partir de um sistema de energia solar fotovoltaica, por exemplo.

A explicação é simples: o sistema de distribuição era exclusivo da geração centralizada.

Para que você pudesse produzir sua energia era obrigatório que a consumisse integral e instantaneamente. Afinal, não se tinha o que fazer com o excedente e à época nem como acumular.

Atualmente, existem baterias residenciais que permitem o acúmulo de energia, mas essa tecnologia ainda é pouco difundida fora da América do Norte e Europa.  

Era preciso então permitir o acesso e integração ao sistema de distribuição. Com isso,todo o excedente da energia produzida pelo consumidor é enviado à rede de distribuição e serve para abastecer sua vizinhança. Aqui entra a importância do segundo ponto fundamental.

  • O sistema de compensação

Toda energia elétrica que você produz e é enviado à rede de distribuição se transforma em créditos em sua conta de luz.

Funciona basicamente assim: no horário em que você produz mais do que consome, o excesso é repassado para a sua concessionária de energia e gera créditos para você. Quando você produz menos do que necessita, a energia da rede elétrica da concessionária abastece sua residência.

Se a sua produção for maior que o consumo, o seu crédito pode ser acumulado e utilizado dentro de 60 meses, ou ainda utilizar para abater na conta de luz de um outro imóvel em seu nome, desde que esteja na mesma região atendida pela concessionária.

Confira a explicação ilustrada no vídeo abaixo:

 

 

  • Microgeração e minigeração

A resolução também segmentou dois tipos de geração distribuída, de acordo com a capacidade de produção de energia: a micro e minigeração. Em 2015, a Resolução Normativa nº 687 trouxe algumas novidades e atualizações. Em seu texto, traz as seguintes definições:

I – microgeração distribuída: central geradora de energia elétrica, com potência instalada menor ou igual a 75 kW e que utilize cogeração qualificada, conforme regulamentação da ANEEL, ou fontes renováveis de energia elétrica, conectada na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras;

II – minigeração distribuída: central geradora de energia elétrica, com potência instalada superior a 75 kW e menor ou igual a 3 MW para fontes hídricas ou menor ou igual a 5 MW para cogeração qualificada, conforme regulamentação da ANEEL, ou para as demais fontes renováveis de energia elétrica, conectada na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.

A diferença consiste na potência: microgeração é até 75kW e minigeração de 75kW até 5MW de potência instalada.

Benefícios para os consumidores

Para o consumidor final, produzir sua própria energia garante uma importante independência energética. A geração distribuída mais comum, nesse caso, ocorre através da instalação de um sistema de energia solar, que representa 75,5% da potência instalada desse segmento no Brasil.

O consumidor que gera sua própria energia continua pagando uma taxa mínima referente aos serviços de disponibilidade da rede elétrica. No entanto, pode reduzir sua conta de luz em até 95%, ficar livre dos reajustes tarifários anuais e se precaver de possíveis quedas de energia comuns em algumas épocas do ano.

Leia mais: vantagens e desvantagens da energia solar

Benefícios para as concessionárias de energia

Até mesmo as concessionárias se beneficiam. Ao contrário do que se pensa, não há uma perda financeira das distribuidoras tradicionais de eletricidade com a produção local de energia.

A distribuidora não ganha com venda de energia, pois a revende pelo mesmo preço que a adquire. O ganho da distribuidora é referente à disponibilização da rede elétrica e esse valor independe se a origem é proveniente da geração distribuída ou a tradicional, centralizada.

Benefícios para o Governo

Essa geração tem uma significativa relevância também para a matriz elétrica brasileira (conjunto de fontes de energia disponíveis no País), pois descentraliza, diversifica e aumenta a oferta de energia elétrica.

Com isso o governo pode diminuir a necessidade de investir na geração de energia elétrica, principalmente de fontes não renováveis, e ainda ter uma segurança maior no abastecimento de energia elétrica para os consumidores finais.  Além de reduzir custos com linhas de transmissão de usinas construídas longe dos pontos de consumo, como é o caso das hidrelétricas.

A Geração distribuída no Brasil

O primeiro semestre de 2018 fechou com mais de 30 mil sistemas de energia solar ativos no Brasil, representando segundo a Absolar 99,4% da potência de geração distribuída instalada.

Conforme prevê a Aneel, até 2024 serão 1,23 milhão de sistemas conectados à rede, totalizando 4.557 MW de potência. O último dado divulgado, de setembro de 2018, mostra que a potência instalada atual é de 350MW.

Segundo o Diretor de Inovação e Fontes Alternativas da Secretaria de Minas e Energia do RS, Carlos Augusto Almeida, as perspectivas indicam que até 2040 a geração distribuída representará 75% da matriz elétrica nacional.

 

Leia na íntegra a entrevista com Carlos Augusto Almeida sobre fontes de energia alternativas e o panorama da energia solar no Rio Grande do Sul.

A Energia Solar na geração distribuída

 

Geração distribuída fotovoltaica

 

Os atrativos econômicos da energia solar para os consumidores e a facilidade de instalação são os principais motivos para que a fonte de energia se tornasse referência em geração distribuída.

Um sistema solar fotovoltaico pode ser facilmente instalado nos telhados das residências ou coberturas dos prédios de uma empresa e seu formato modular permite uma geração adequada para cada nível de consumo de energia elétrica.

Outra facilidade são as linhas de financiamentos disponíveis especificamente para energia solar com taxas abaixo do que é geralmente praticado no mercado.

Assim é possível realizar um investimento seguro que gera resultado imediato na redução da conta de luz e possui um tempo de retorno do investimento curto, entre 4 a 6 anos.

Ou seja: nos anos iniciais do sistema a diferença da economia na conta de luz serve para pagar o investimento realizado e, após esse período, aproveita-se pelo menos vinte anos onde toda economia na conta é lucro.

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