Incentive Solar Day: diretor de Inovação e Fontes Alternativas do RS fala sobre a energia solar no estado

Continuando a série de entrevistas com os palestrantes do Incentive Solar Day, falamos com Carlos Augusto Almeida, Diretor de Inovação e Fontes Alternativas da Secretaria de Minas e Energia do Estado do Rio Grande do Sul.

 

Carlos Augusto Almeida é graduado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Trabalhou 32 anos na Eletrobras/Eletrosul, e atualmente é Diretor de Inovação e Fontes Alternativas na Secretaria de Minas e Energia do Estado do Rio Grande do Sul.   

          

Saiba tudo sobre o Incentive Solar Day, evento que será realizado no dia 22 de março em Porto Alegre com o objetivo de discutir a importância da energia solar e o papel de engenheiros e arquitetos na construção de uma energia mais limpa!

 

Confira agora a entrevista que realizamos com o Carlos Augusto Almeida, um dos palestrantes do Incentive Solar Day:

 

Incentive Solar (IS):  Como a Secretaria de Minas e Energia vê o crescimento da energia solar no Brasil e no Rio Grande do Sul?

 

Carlos Augusto (CA): Durante a última década, a energia solar fotovoltaica apresentou um crescimento robusto e contínuo. Esse mercado vem melhorando a sua competitividade no setor de energia elétrica, impulsionado pela forte diminuição dos preços dos equipamentos. Na maioria dos países, o mercado de energia fotovoltaica tem sido orientado por políticas. Os regimes de apoio nacionais impactam de forma significativa no desenvolvimento desses mercados. A redução de incentivos, por exemplo, culminou na redução dos mercados de vários países, como Alemanha, Itália, França, etc.; enquanto que políticas de incentivo aplicadas na China e no Japão resultaram no crescimento desse mercado.

No Brasil e no Rio Grande do Sul, a participação da energia solar na matriz energética deixa a desejar quando comparado a outros países e regiões com incidência solar menos significativa. No entanto, é impossível não notar o seu crescimento: segundo a ABSOLAR, a energia solar fotovoltaica no Brasil teve um crescimento de mais de 400% nos últimos dois anos em número de sistemas fotovoltaicos.

As políticas públicas adotadas nesta década, como a resolução normativa da ANEEL 482, que estabelece o sistema de compensação de energia e a adesão do Rio Grande do Sul à desoneração de ICMS sobre a geração de energia elétrica por consumidores, são grandes responsáveis pelo crescimento deste mercado. Existe a tendência deste mercado se tornar mais competitivo nos próximos anos, fazendo com que o emprego da tecnologia fotovoltaica na geração de energia no Brasil e no Rio Grande do Sul se consolide ainda mais.

 

Leia também: Entrevista com Gabriel Ritter,diretor do FEPAM e palestrante do Incentive Solar Day, sobre licenciamento ambiental para energia solar.

 

IS: O Rio Grande do Sul é o terceiro estado com mais sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo. Em sua opinião, a que se deve essa excelente colocação de nosso estado, mesmo sem ter as melhores condições de radiação solar?

 

CA: A terceira posição em quantidade de sistemas fotovoltaicos conectados a rede no cenário nacional, e a segunda posição, atrás apenas de Minas Gerais, no que se refere à potência instalada (ANEEL), são devidas aos fatores abaixo:  

  1. Incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual, como a adesão a política de isenção de ICMS sobre a energia consumida da rede, quando em quantidade equivalente a quantia injetada através do sistema fotovoltaico; 
  2. Disseminação de informações referentes aos benefícios das instalações FTV junto aos consumidores e investidores;  
  3. Os consumidores têm sido impulsionados a gerar a própria energia devido ao aumento tarifário (alteração de bandeira, principalmente nos períodos em que mais se consome energia elétrica) e flutuação tarifária (variações de câmbio, inflação);
  4. Busca por segurança financeira e energética, além de autonomia, principalmente no caso de consumidores rurais, que através dos sistemas fotovoltaicos autônomos conseguem garantir abastecimento energético para 2 ou 3 dias (ou mais, conforme o dimensionamento do sistema);  
  5. Redução do custo dos painéis fotovoltaicos e linhas de financiamento adequadas para esse tipo de projeto, o que viabiliza as instalações;
  6. Economia após o período de pagamento do investimento (5–7 anos), já que o consumidor poderá usufruir o sistema por pelo menos 25 anos, considerando o tempo de vida útil dos painéis fotovoltaicos;  
  7. Consciência Ecológica, reduzir a utilização de fontes fósseis, por consequência reduzir a emissão de poluentes (energias limpas).

 

IS: Alguns governos estaduais tem realizado programas para o desenvolvimento da energia solar em seus estados, como é o caso do programa Goiás Solar do Estado de Goiás. O que o Governo do Rio Grande do Sul junto com a Secretaria de Minas e Energia tem feito para o desenvolvimento da energia solar aqui no estado?

 

CA: Em agosto de 2016 foi instituído o programa RS Energias Renováveis. Este programa é destinado ao desenvolvimento do setor elétrico regional a partir de fontes renováveis, como a energia solar, por exemplo. No Comitê Gestor deste programa, atuam em conjunto diferentes órgãos públicos (SME, PGE, SDECT, SEMA, BRDE, BADESUL, FEE, COPERGS e FEPAM) com o objetivo de desenvolver a matriz elétrica renovável no estado, a partir da criação de mecanismos que priorizem e deem celeridade à tramitação de processos relacionados a projetos de geração de energia, compreendendo as seguintes atividades: licenciamento ambiental, outorga de recursos hídricos, conexão à rede elétrica, financiamento e comercialização de energia elétrica.

Vale destacar que o programa abrange também geração de energia a partir de outras fontes renováveis como biomassa, eólica, PCHs e CGHs. Aos empreendimentos que participam do programa, serão oferecidas linhas de financiamento especiais por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE – e do BADESUL Desenvolvimento S.A.

Além disso, a Secretaria trabalha no desenvolvimento do Atlas Solarimétrico do Rio Grande do Sul, que atualmente está em fase de licitação. O Atlas mapeará as potencialidades de geração de energia solar, indicando os locais mais propícios para a implantação de investimentos no setor, além de dar uma perspectiva de quanto pode ser gerado de energia solar em cada região.

 

IS: Com o crescimento da energia solar, como você acredita que será a matriz energética do estado do Rio Grande do Sul nos próximos anos?

 

CA: Com o incremento da energia solar fotovoltaica na matriz energética estadual, a matriz elétrica será mais limpa, mais diversificada, com melhor aproveitamento do potencial energético e a quantidade de instalações fotovoltaicas deverá aumentar significativamente, o quê ocasionará a redução do custo dos materiais, e a geração estará próxima dos centros de consumo, caracterizando uma geração descentralizada.

E ainda, no cenário nacional as perspectivas, segundo o ONS, indicam aumento de 1,3 % para a energia solar fotovoltaica, na matriz elétrica até 2021. Outras projeções indicam que até o ano de 2040, 75% da matriz elétrica nacional será composta por geração distribuída, sendo que a energia solar fotovoltaica contribuirá com 32 % da capacidade total instalada do parque gerador brasileiro.

Inscreva-se agora para o Incentive Solar Day. As vagas são limitadas!

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