Energia solar sob o olhar de Gabriel Ritter, da FEPAM

Gabriel Ritter – Diretor Técnico da FEPAM

 

No dia 22 de março a Incentive Solar irá realizar a primeira edição do Incentive Solar Day. O evento contará com diversos profissionais renomados do setor energético e da construção para trocar ideias e compartilhar conhecimento relevante sobre energia solar e fontes renováveis de energia.

 

Um dos convidados confirmados é o diretor técnico do FEPAM, Gabriel Ritter, e conversamos com ele sobre as questões relacionadas às exigências ambientais e a energia solar fotovoltaica, assunto que Gabriel tratará no Incentive Solar Day.

 

Na primeira entrevista da série que faremos com os palestrantes do evento, o entrevistado é justamente o Diretor Técnico da FEPAM, Gabriel Simioni Ritter. Confira a entrevista na íntegra:

 

Incentive Solar (IS): Como a FEPAM vê o crescimento da energia solar no Brasil e no Rio Grande do Sul?

 

Gabriel Ritter (GR): A FEPAM vê com bons olhos e acompanha a evolução dessa matriz. Buscamos atualizar nossos conceitos e normativas para que possamos concentrar nossos esforços nos quesitos que realmente são importantes, desburocratizando para aqueles casos que sabe-se do baixo potencial de possíveis impactos ambientais.

 

IS: Há concessionárias solicitando licenciamento para instalações residenciais? O que a FEPAM está fazendo para evitar essa solicitação desnecessária?

 

GR: No âmbito da FEPAM não tivemos a demanda por licenciar instalações residenciais. Tampouco consideramos que deva ser realizado este tipo licenciamento. Por isso contribuímos na revisão da Resolução que está definindo quais atividades devem ser isentas ou passíveis de licenciamento ambiental. Tal Resolução está em processo de conclusão no Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA e propomos a isenção do licenciamento ambiental para as instalações residenciais de energia solar, tanto no âmbito estadual como municipal.

 

IS: Qual o impacto ambiental que a energia solar pode gerar?

 

GR: Embora as energias renováveis utilizem para geração de energia recursos naturais, tais como vento, água e sol, não significa que a implantação dos complexos de geração de energia não gerem impactos ambientais. Cada fonte tem sua peculiaridade e consequente tipologia de impacto ambiental. No caso específico da energia solar, obviamente que existe o impacto associado a produção das placas solares. Também, é necessário separar as instalações residenciais, as quais defendemos a isenção do licenciamento, dos grandes parques solares que devido ao grande território que vem a ocupar podem causar impactos. Cito por exemplo, um parque de porte grande (entre 600 e 1000 ha de área total) sob vegetação nativa campestre, típica do bioma pampa, o sombreamento tende a comprometer a vegetação ali existente. E por isso, tem que realizar o licenciamento ambiental, para responder se nessa vegetação existe alguma espécie rara, endêmica ou ameaçada de extinção que ficará prejudicada pela instalação do parque, se é possível mitigar ou compensar este impacto. Isso, referindo somente a questão da vegetação. Além do impacto do parque solar propriamente dito, tem que ser avaliado todo o traçado da linha de transmissão de energia.

 

IS: Qual a importância do crescimento da energia solar para a matriz energética gaúcha?

 

GR: Primeiramente para acompanhar as tendências de crescimento dessa fonte de energia a nível mundial e nacional. Do ponto de vista ambiental, a energia solar tem um diferencial que são as instalações residenciais. O consumidor buscando diminuir seu custo com energia, busca a própria geração, em um local que já está impactado, como o telhado da residência. A energia solar tem uma extensa área a ser ocupada sem restrições ambientais.

 

IS: O Rio Grande do Sul possui uma matriz energética predominante hídrica, como você vê a matriz energética no Rio Grande do Sul daqui alguns anos com o crescimento da energia solar?

 

GR: Vivemos em um Estado de ótimas condições de geração de energias renováveis e temos uma enorme biodiversidade. O grande desafio é conciliar a necessária ampliação da nossa capacidade de geração de energia com os quesitos ambientais relevantes. Temos que diversificar a matriz energética a ponto de utilizar o melhor potencial de todas e diminuir os impactos ambientais a elas associadas. Por exemplo, em determinado local pode ser inviável a instalação de um parque eólico por estar localizado em rota migratória de aves, porém no mesmo local pode ser viável a instalação de um parque solar, por não causar impacto na avifauna. Deste modo, poderemos aproveitar o vento do litoral e da campanha, as nossas diversas horas de insolação e utilizar os recursos hídricos como segurança do sistema, evitando o uso de termelétricas a partir de combustíveis fósseis.

 

Saiba mais sobre o Incentive Solar Day: acesse nosso evento oficial no Facebook

  • Parabéns ao Gabriel Ritter, Diretor Técnico da FEPAM, que tem feito um trabalho intenso para a melhoria do atendimento as demandas do setor elétrico e também de todos os setores da sociedade. Com sua dedicação, habilidade e competência, tem conseguido junto com os técnicos da FEPAM, muito mais agilidade no licenciamento ambiental, com critérios claros e definidos.

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